sábado, 17 de outubro de 2009

"É uma canção de embalar estranha, como deve ser, porque é minha."




"À noite, penso no meu Piano na sua sepultura no mar. 
E, às vezes, penso em mim a flutuar por cima dele. 
Lá em baixo tudo é tão tranquilo e silencioso que me embala. 
É uma canção de embalar estranha, como deve ser, porque é minha. Existe um silêncio onde nunca nenhum som penetrou. 
Existe um silêncio onde nenhum som pode penetrar, na fria sepultura sobre o mar profundo." 

(in O Piano)


First friendly post : Anaïs

"(...) ardente...eterno alento!(...)"

Apetecia-me estar ao pé do mar, ouvir as pequenas ondas a mergulhar sobre o mar, sentir o virgem cheiro da Natureza, e difundir-me nos meus pensamentos, desejos, e furacão de sentimentos.

Antero de Quental, escreve, e bem...

"Ide!crescei sem medo!não é avára
A alma eterna que em vós anda e palpita...
Onda, que vai e vem e nunca pára!

Em toda a forma o Espírito se agita!
O immovel é um deus, que está sonhando
Com não sei que visão vaga, infinita...

Semeador de mundos, vai andando
E a cada passo uma seara basta
De vidas sob os pés lhe vem brotando!

Essencia tenebrosa e pura...casta
E todavia ardente...eterno alento!
Teu sopro é que fecunda a esphera vasta...
Choras na voz do mar... cantas no vento...
(...)"

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

My life is just a slow train...

Uma canção que tem tocado ultimamente nas ruas de Lisboa e outros pedaços de estrada nos quais viajo - Crawling up a hill de Katie Melua.


O mundo gira num sentido tão diferente quando ouvimos música.

Basta apenas ultrapassar a fronteira do silêncio.

Desfaz-se o sentimento de tristeza, outras vezes abrem-se os céus sobre nós, voamos para outros lugares ou apenas ficamos com aquela loucura simples e saudável. :)


Uma boa noite por aí...


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O ar de uma Terra, uma casa, tua e minha


Chuva... água...
pouco a pouco,
saltam e descem à minha frente.
Perdi a conta
das pequenas gotinhas,
transparentes e suaves
delicadas e subtis.
Numa transparência desigual
libertam o meu olhar,
as minhas raízes do estar
as cordas da minha cadeira,
e levam-me para outro lugar.
Sem olhos ausentes,
caminhos nebulados,
nem sentidos para me perder.
E os dias acolhem esta chuva,
onde eu escondo essa vida,
de transparentes tatuagens pela terra,
que acendem onde caem
o ar de um sopro tanto teu como meu.


Fotografia : Diana Quintela

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Vida





Se existe algo muito profundo entre os seres humanos... é o olhar!
Existem os gestos, as palavras, as acções.... Mas os olhares no silêncio, numa discussão, num beijo, numa conversa, é capaz de mudar tudo. É capaz de mudar, conduzir, apaixonar, realçar, guardar, desvendar, sublinhar, brincar.

Este pequeno olhar leva-me até uns quilómetros longe daqui. Longe das horas, das teclas, da agenda, e mais perto da ... vida. Eu amo África. Ponto. E se África tem muita corrupção, maldade, sangue, também tem algo muito oposto... a expressão de uma alegria de viver sem fronteiras. E viver, para mim, resume-se a um sorriso nos nossos lábios. Ser feliz. Na cabana, na praia, na cidade, na cantina, em qualquer lugar. Sentirmo-nos bem connosco próprios e espelhar isso pelo mundo fora.

Da última vez que estive neste continente maravilhoso, encontrei uma mulher que ensinou-me, mostrou-me umA Vida. Numa pequena casinha de tábuas de madeira, ao pé de algumas bananeiras, corvos, chuvas torrenciais e um candeeiro de parafina, tinha a família dela. E, tinha tudo. Que tesouro. Que saudades de beber do mesmo chá quente todas as manhãs e sentir-me infinitamente abençoada por aquelas energias. Energias de vida, onde não páras, vais à luta. Numa luta pelo bem, pela alegria de viver e sonhos que brilham por trás dos nossos olhos. Saudade.