quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Com um ramo de cravinetas nos braços


Hoje comprei um belo raminho de cravinetas.

Temos de mimar um pouco a nossa casa, para além de nós próprios. Dá cor, vida e alegria ao nosso cantinho.

Já experimentaram andar com um ramo de flores nas mãos pela rua, centro comercial ou outro qualquer local público?
Foi engraçado. Ao sair do espaço do Centro Comercial, toda feliz e contente com o raminho no braço, um senhor deixou-me passar no meio de um multidão de pessoas num corredor, outro cavalheiro segurou a porta para eu sair do Centro e outro senhor parou o carro para eu passar na passadeira. Senti mesmo uma energia positiva no ar!

Por falar em positivismo...Sabem porque é que os cravos vermelhos estão associados ao 25 de Abril?
Existem várias versões da história. Mas a essência é esta : uma florista começou a distribuir cravos pelos militares no 25 Abril 74, que inconscientemente começaram a colocá-las nas espingardas.Com os cravos nas espingardas, estas assim não podiam disparar! Se a distribuição destas lindas flores não tinha um objectivo político, rapidamente estas lindas flores transformaram-se uma expressão visual da vontade popular de tornar o movimento militar numa revolução pacífica.

sábado, 29 de agosto de 2009

Pequenos mistérios



Já tenho gatas há alguns anos e têm sido os animais que mais duram aqui em casa. :D
Vieram piriquitos, bichos da seda, cágados, peixes... RIP all of them! :P

Digam o que disserem estes pequenos primos da vida felina transformam todos os meus dias.
E o que eu mais adoro neles, são os mistérios das suas vidas.

E agora vou-vos desenrolar alguns pequenos episódios dos felinus catus! lol

Imaginam o que é ...estar a fazer uma pequena asneira, pensar que estou a fazer mal, e viro-me para o lado, está a minha gata sentada no chão a olhar muito fixamente para mim? Sem miar, nem roçar-se nas minhas pernas, apenas a olhar, como se estivesse a dizer "Achas bem?Hein?"

Imaginam o que é ...estar a tremer de frio durante a noite, por causa da preguiça de ir buscar um cobertor mais quente, e sentir as minhas gatas a deitarem-se nas minhas costas e nos meus pés?

Imaginam o que é ...sentir que podemos fazer os animais felizes com pequenas brincadeiras?

A maior prenda que tive na vida foi a minha gata Speedy. Só lhe falta falar. Enquanto não fala, deita-se no pescoço da minha mãe quando ela está a dormir, atira-se para as nossas costas enquanto cozinhamos, dorme de barriga para cima, mia como se estivesse a cantar o fado, ...

Os mistérios destes bichos residem em todas as suas acções, muito equiparadas ao ser humano.
O mistério de não sabermos o que pensam, como sofrem, o que anseiam (para além das whiskas claro! lol) e quem somos nós perante aqueles olhos reluzentes?

Somos uma tribo? Somos significado de paparoca? Somos uma galinha dos ovos de ouro? Somos um gato apoiado nas patas de trás?

Ficam as dúvidas. Para além das dúvidas, a alegria de não sabermos o que é, mas que gostamos! :)

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Ode ao Gato"


Tu e eu temos de permeio
a rebeldia que desassossega,
a matéria compulsiva dos sentidos.
Que ninguém nos dome,
que ninguém tente
reduzir-nos ao silêncio branco da cinza,
pois nós temos fôlegos largos
de vento e de névoa
para de novo nos erguermos
e, sobre o desconsolo dos escombros,
formarmos o salto
que leva à glória ou à morte,
conforme a harmonia dos astros
e a regra elementar do destino.

José Jorge Letria, in "Animália Odes aos Bichos"

Speedy em Cotos. Agosto 2009.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Noite


Noite, vão para ti meus pensamentos,
Quando olho e vejo, à luz cruel do dia,
Tanto estéril lutar, tanta agonia,
E inúteis tantos ásperos tormentos...

Tu, ao menos, abafas os lamentos,
Que se exalam da trágica enxovia...
O eterno Mal, que ruge e desvaria,
Em ti descansa e esquece alguns momentos...

Oh! Antes tu também adormecesses
Por uma vez, e eterna, inalterável,
Caindo sobre o Mundo, te esquecesses,

E ele, o Mundo, sem mais lutar nem ver,
Dormisse no teu seio inviolável,
Noite sem termo, noite do Não-ser!

Antero de Quental, in "Sonetos"